John Travolta, no filme Phenomenon, de 1996, faz o papel de um tal de George Malley, mecânico de carros, um homem normal a viver uma vida perfeitamente banal. Ele vê uma luz estranha e intensa, numa noite, quando sai, sozinho, no bar onde estava a festejar o seu aniversário. Por causa desse estranho incidente, nos próximos dias ele fica muito inteligente, desenvolve um apetite insaciável para ler livros e começa a usar a sua inteligência para ajudar a comunidade.

Isto é o sonho de muita gente. Ser bom em determinada área sem grande esforço, mas infelizmente ninguém tem uma luz que o possa tornar melhor sem trabalho e esforço dedicado.

Tomemos o nosso amigo João Sardinha, que aceitou que eu lhe escrevesse um artigo para o seu blog. O João, ainda sendo um adolescente, não só mostra uma linguagem escrita bastante articulada, como também apresenta no seu site/blog um portefólio variado de trabalho que até se podia confundir com trabalho académico de estudantes em cursos superiores e até já a trabalhar em agências de multimédia. Como é que isto é possível?

É verdade que algumas pessoas nascem com alguma predisposição genética ou mental um pouco mais orientados para determinado tipo de actividades. Tomemos por exemplo aquelas pessoas, normalmente homens, que comem, comem, comem, não fazem exercício físico, e não engordam, e também não apresentam grandes níveis de colesterol nem nada. Outros são bons a desenhar mas são péssimos a matemática. Outros são bons nas áreas abstractas mas não se integram em arte. Outros ainda são bons em várias disciplinas.

Seja a nível físico ou mental, existem algumas tendências genéticas para as quais algumas pessoas poderão estar mais inclinadas. Ainda assim, nada bate a experiência e a prática dedicada. Um homem muito alto, digamos, de mais de 2 metros, poderá ser desajeitado e até nem ser bom para praticar basquetebol. Outro homem com a mesma altura, poderá ter algum jeito, e juntamente com a sua altura, poderá ter mais hipóteses que muitos, o problema é, se não praticar, se não treinar, se tiver uma vida afastada da prática basquetebolista, nunca vai ser um profissional nem nunca poderá jogar a esse nível. Ele poderá ser bom, mas nunca irá ser excelente. O passo extra, o missing link, é a prática, a dedicação e a persistência.

O facto de alguém como o João apresentar uma tendência acima da média, em relação à maior parte dos jovens da idade dele, para competências artísticas e multimédia, pode indicar que o João, justamente por ser um entusiasta, já leu, viu, analisou tendências de design e multimédia, e praticou. Estudou, e fez. Não houve aqui nenhuma luz a atingi-lo como atingiu o George Malley do filme. O João praticou, foi fazendo, ganhou experiência, e como acaba por ser uma área que lhe interessa, nem é considerado chato, nem é considerado trabalho, daí ser fácil continuar, e ficar melhor.

Há um ditado do Confúcio, um dos filósofos Chineses mais conhecidos da História (551-479 A.C), que dizia assim:

Escolhe um trabalho que gostas, e nunca mais vais precisar de trabalhar na vida.

É um bom lema a seguir, não?

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João Paulo

O João Paulo é o autor deste post, o João é licenciado em Tecnologia e Artes Gráficas pelo Instituto Politécnico de Tomar. Ele é artista, administrador, constrói sites e blogs, faz algum design gráfico e vai escrevendo, aqui e ali, algumas coisas para quem tem a paciência para o aturar.

Alguns dos sites que ele administra incluem um de design e criação de logótipos para empresas e instituições, e o Retratex, um site de criação de retratos à cobrança.